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Mário Petrocchi
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Entre 1998 e 2007, a parcela de mercado do Espírito Santo no turismo nacional recuou 54% — segundo pesquisas do Governo Federal. O levantamento de 2007, recentemente divulgado, mostra o Espírito Santo com parcela de 1,9% — enquanto em 98 era de 4,1%. Em sentido contrário, a participação da Região Sudeste cresceu de 38% para 48,6% no período.
Em 1998, o Estado recebia 11% dos turistas do Sudeste. Em 2007, recebeu 4%. Em 1998, estava em 10º lugar, junto com o Rio Grande do Sul. Hoje, os gaúchos estão em 5º, enquanto o território capixaba ocupa a 12ª posição no ranking dos Estados.
A perda de competitividade do Espírito Santo se reflete no comportamento dos próprios capixabas: 51,2% escolheram viajar pelo Estado em 98. Essa preferência caiu para 37,5% em 2007. Nesse período, o market share — a fatia de mercado — do Espírito Santo em Minas Gerais caiu fortemente: 18,9% para 4,2%. No Rio de Janeiro, a queda foi de 8,2% para 5,4%. Em São Paulo, de 1,3% para 0,3%.
Os problemas de qualidade da oferta de praias explicam essas quedas, pois é ela que representa em torno de 80% da demanda. Os danos à marca Guarapari e outros destinos diminuem o fluxo de turistas e, também, causam a substituição de segmentos de mercado de maior renda por outros de menor renda.
Houve redução de 615 mil turistas entre 1998 e 2007. O Espírito Santo recebia 1,5 milhões de turistas, caindo para 945 mil. Entretanto, o Sudeste passou a receber 9,5 milhões a mais, evoluindo de 14,5 para 24 milhões. Indiscutivelmente, o mau desempenho do turismo capixaba é ligado à gestão.
O turismo de negócios aquece a demanda (espontânea) na Grande Vitória, mas os destinos de praia estão tecnicamente em decadência, fruto da especulação imobiliária, indigência da gestão pública e omissão dos empresários. A redução da demanda e a severa sazonalidade são ameaças à sobrevivência dos empreendimentos de pequeno e médio portes em nosso litoral.
Estamos sofrendo de miopia em relação ao turismo. Na Europa, 94,2% das empresas do turismo possuem menos que 10 empregados. Aqui, ignoramos os benefícios sociais e econômicos do turismo, que exige baixos níveis de investimento para a criação de postos de trabalho.
Os empreendedores do turismo deveriam lutar pela sobrevivência econômica através de seus próprios esforços, gerando os projetos de marketing dos seus destinos. Infelizmente, os empresários se limitam a gerenciar os conventions bureaux, que, por sua vez, focam o segmento de congressos e reuniões — que representam apenas 2% do mercado total do turismo (Fipe 2007).
Só os empresários podem reverter a queda continuada do turismo capixaba. E essa atitude precisa ser urgente, para que possam ainda tentar impedir a desastrosa localização da siderúrgica em Anchieta, que, inexoravelmente, destruirá o que resta do potencial turístico das praias do litoral Sul capixaba.
Poluição, migração social, criminalidade e favelização acompanharam os projetos industriais na Grande Vitória. Sucumbimos ao pó de minério. Será diferente no Sul? Não VALE a pena arriscar.
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Artigo publicado originalmente na página de Opinião da edição de 5.5.2010 do jornal A Gazeta, de Vitória, capital do Estado do Espírito Santo.
O autor, engenheiro de formação, além de professor universitário, é consultor especializado em turismo e autor de diversos livros focados neste segmento de atividade econômica.
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