Valores de Domingos Martins: Joaquim Pereira Baraona


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Imigrante português antevê sucesso do turismo nas montanhas capixabas

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Texto de Cacau Monjardim, jornalista e diretor executivo da Fundação Jônice Tristão, do grupo que administra a Pousada Pedra Azul

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Tradicionalmente, o Espírito Santo colocava suas prioridades turísticas completamente voltadas para o aproveitamento do seu litoral. Dava seqüência, em termos das tendências dos fluxos internos, à atração que o mar exercia sobre as pessoas. No caso especial de nosso Estado, uma acentuada presença de visitantes originados de Minas Gerais, Goiás e Brasília e outros pontos do Oeste brasileiro, que vinham aproveitar nossa orla.

Os investimentos — acanhados, na verdade — focavam a importância terapêutica, medicinal e reparadora de faixa de areia radioativa, onde reinava, soberana, nossa hoje maltrada e esquecida Guarapari. Mas, na década de 70, apareceu por aqui um empresário de origem portuguesa, chamado Joaquim Pereira Baraona, pregando uma teoria diferente. E ela apontava, cientificamente, a montanha como a generosa e correta opção para todos aqueles que moram à beira mar.

Fonte inesgotável de saúde, natureza, tranqüilidade e bem estar, sob temperaturas amenas e toda a potência de oxigenação da Mata Atlântica. Era bonito para a cultura européia. Mas, para a da radioatividade, da culinária de frutos do mar, abandonar o Sol que colocava em todos os corpos uma invejável cor de canela não era simples. O lusitano, com garra, experiência, visão de futuro, partiu para o até então desconhecido Município de Domingos Martins.

E começou a revelar a nós os encantos da montanha, a ambientação das flores, festa de orquídeas, ausência de poluição, vivência granjeira, frutas de clima temperado, nascentes de água e pequenas cachoeiras, movimento arisco e alegre dos colibris e distância comportada dos ruídos e eletrônicos, permitindo carinho, sussurros e encontro de mãos e lábios em esperança.

Baraona recitava estas estrofes com um brilho no olhar, com as mãos em prece na espera da lágrima furtiva. Mas era hora de ação, e partiu para a conquista de seu sonho. Cortou a terra ondulada com tratores, abrindo estradas. Abriu lotes e plantou mais árvores. Começou a erguer chalés e um instrumental de apoio: quadras para vôlei, peteca, basquete e tênis; piscinas; restaurante típico etc. E modesta área de recepção, na antecedência do seu Parque das Hortênsias.

Estava ali a redescoberta da nossa montanha. Com o apoio de toda a família, artífices que foram de sonho e da realidade dos frutos, deram partida ao processo turístico que resultou na valorização do imenso complexo residencial, imobiliário e turístico do que chamava de “pequena Suíça”. Espaço que abraçava os Municípios de Domingos Martins, Santa Leopoldina, Venda Nova do Imigrante, Castelo e Santa Teresa.

Ao lado do parque, hoje modelo de lazer de montanha, Joaquim Baraona construiu o Green Park Hotel, abrindo opções de hospedagem simples, confortável e alegre para os visitantes e servindo para ampliar as freqüências turísticas. Empreendimento que se transformou num pólo de entrada para toda a montanha, seus cenários, atrações, pousadas, pequenos restaurantes, pitorescas fazendas e novos sítios de agronegócios. Convivências que se mostra sadia e produtiva.

Poderia listar muitos eventos, iniciativas, campanhas, representações e intermediações que Baraona presidiu com amor, capacidade, dedicação e a inegável importância outorgada por Portugal, ao lhe nomear vice-cônsul aqui no Estado. Produtiva relação de convivência que transformou Vitória e Cascais em cidades irmãs. Retornou para viver nesta última, e lá abraça com carinho e entusiasmo as notícias do Espírito Santo que lhe envio regularmente.

Tenho certeza que se preserva um verdadeiro capixaba, torcendo para que sua montanha continue sendo a central de seus sonhos e nosso Estado alcance o futuro grandioso que sonhamos juntos. Devemos homenagem a este pioneiro, que, ao lado de Júlio Pinho, Paulo Voght, Antônio Carlos Ayres, Aécio Bumachar, Roberto Saleto, José de Brito, Alziro Calmon e o ainda presente Roberto Kautsky, abriu as rotas desta região detentora do terceiro melhor clima do mundo.

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Joaquim Baraona e este articulista em solenidade no final dos anos 70



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