O pai, o filho e o Espírito Santo
• • •
Texto de Cacau Monjardim
Jornalista e diretor executivo da Fundação Jônice Tristão
• • •
Ninguém que conhece, verdadeiramente, a história do processo de desenvolvimento e afirmação da economia capixaba, com especial e incontornável prioridade para os chamados grandes projetos, pode esquecer a influência marcante do engenheiro Eliezer Batista da Silva na armação e condução dos entendimentos das negociações, internas e externas, para viabilizar este fantástico complexo logístico e industrial que sustenta o novo estágio, na crista desta quarta onda.
E, lá no seu retiro, perto do céu, sob a tranqüilidade do terceiro melhor clima do mundo, o nosso Eliezer não perdeu o pique. Continua sonhador, articulador e influente conselheiro dos grandes grupos, inspirando arrojadas idéias. É de sua formação e da imagem que construiu, nos altos escalões da República, nos salões internacionais, nos gabinetes desafiadores de italianos, japoneses, alemães e chineses, trocando com uma versatilidade idiomática teses e projetos na língua de cada um.
E, mesmo assim, aquele jovem engenheiro louro, de cabeleira alta e esvoaçante, como se apresentava nas ruas da pequena Vitória de nosso tempo, dirigindo elegante e moderno conversível Pontiac vermelho, não parecia adivinhar o que estaria reservado a um verdadeiro usineiro da criatividade, no qual acabaria se transformando.
No sopé da Pedra Azul, olhando o horizonte do lago de sua propriedade, namorando a única reserva natural de araucárias existente no mundo, fruto de sua permanente acuidade ecológica, ele não para de sonhar e vender as potencialidades novas que afloram e que transformam o Espírito Santo, já agora no mais importante candidato a membro da OPEP. De relance, volta-se para um projeto arrojado de reflorestamento altamente tecnológico, com expressivas parcerias internas e externas, nas margens interestaduais do Rio Doce, esquecidas e desprotegidas.
Nosso Estado — perdoem a sugestão e o puxão de orelha — não projeta conquistas, não enxerga o surgimento de líderes, não aprendeu a acordá-los para nossas viabilidades econômicas, culturais, turísticas, ambientais, industriais e públicas, perdendo oportunidades de ouro no contexto dos grandes investimentos.
Se hoje eu fosse autoridade, estaria garimpando, carinhosamente, no estuário onde circulam as grandes lideranças nacionais e internacionais, aqueles que pudessem ser atraídos para cá e despertados, ao pé do ouvido, e em torno de uma boa moqueca, para as oportunidades que aqui surgem, num impressionante ciclo de desenvolvimento e viabilidade.
Começaria logo, com entusiasmo e esperança, a conquistar para este novo estágio de oportunidade homenageando, também, seu professor, mestre e guru, o jovem engenheiro e empresário Eike Batista, que pilota alguns dos mais importantes empreendimentos nacionais e internacionais.
• • •
|
|
Eliezer Batista da Silva: influência marcante no desenvolvimento do Estado do Espírito Santo. A foto é de Edimar Binotti
|
|