Sementes de empreendedorismo: Shirles Nascimento e Aloísio Almeida


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Texto de João Zuccaratto

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Casal de empreendedores constrói o sucesso do Restaurante Lago da Lua

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Sempre que alguém se referir a empreendedorismo na região de Pedra Azul precisa citar Aloísio Alves Almeida, hoje, ao lado da esposa Shirles Nascimento, à frente do Lago da Lua Restaurante. Filho de pais pobres, mudou com a família de Minas para Vitória com oito anos. Estudou pouco e, na adolescência, enfrentou limitações que poderiam levá-lo a ser mais um na multidão, a não conseguir nada na vida.

Como é dessas pessoas que sempre fazem limonada dos limões que o destino põe em suas mãos, em 1978, com 18 anos, foi ser carpinteiro na residência do empresário Jônice Tristão, na Aldeia, em Guarapari. Se fosse empregado comum, sem iniciativa, daria conta de suas obrigações e pronto. Não é esse o caso. Por que enjeitar serviço? Cuidava do jardim, limpava a piscina, fazia reparos elétricos, o que aparecesse.

Logo, era o administrador daquela casa e de outra que a família tinha no Rio de Janeiro. Se ficasse só nisso, tenham certeza, não seria demitido. Mas deixaria escapar a chance que mudou o rumo da sua vida. Nos finais de semana que passavam em Guarapari, era comum o senhor Jônice e a esposa Ilza receberem 70, 80 pessoas. E os oito garçons do grupo de 18 empregados que mantinham lá não davam conta.

Lá estava o Aloísio para colaborar. Primeiro, servindo aos convidados. Depois, ajudando nos fogões. Assim nasceu o chefe de cozinha respeitado de hoje. “Dona Ilza Tristão foi minha mestra em culinária” — revela, com orgulho. Quando o Grupo Tristão montou a equipe de funcionários da pousada que construiu em Pedra Azul seu nome se destacou. Assim, em 1988, mudou para a região em que está há 20 anos.

Antes, fez estágio no Hotel Senac na Ilha do Boi e na área de alimentos e bebidas do antigo Novotel, ali na Mata da Praia, primeira investida do Grupo Tristão no setor. Começou na Pousada Pedra Azul como gerente de alimentos e bebidas, foi promovido a gerente operacional e saiu como gerente geral, em 2000, quando o empreendimento foi paralisado. No acordo, recebeu o lote onde está o Lago da Lua.

Casado, quatro filhas, resolveu ser empreendedor. Arrendou a Pousada Aargau durante dois anos, ao mesmo tempo em que também atuava em construção civil. Isso fez com que Shirles deixasse de ser apenas uma dona de casa para também ajudar a tocar o negócio. “Tive medo. Fiquei assustada. O mundo de Aloísio era outro. Eu não estava acostumada a receber as pessoas” — rememora ela agora.

Lembro que em 2001 nos recebeu na Aargau durante um final de semana em que levantávamos informações para uma edição especial da revista Orla Turismo & Negócios. Em momento algum demonstrou timidez, medo. Ao contrário, como tinha concluído um curso de guia de turismo, nos acompanhou nas visitas durante sábado e domingo. Isso sem descuidar dos hóspedes da pousada e do atendimento da casa de chá anexa.

Em 2005, aproveitando parte da confortável residência erguida por eles, abriram o Lago da Lua. Localização privilegiada, decoração charmosa, atendimento primoroso e cozinha de primeira alicerçaram o sucesso da casa. Durante a semana, abrem para jantar, para grupos fechados e acertados antes. Nos finais de semana, é bom fazer reserva com antecedência. Além de cardápio especial, servem pizzas assadas em fogão a lenha.

As mais pedidas são de cogumelo e de mussarela de búfala com tomate seco. Outro sucesso é a entradinha de polenta com cogumelo. O cardápio é cheio de opções à base de iguarias da região. E não é estático. Aloísio está sempre criando. Durante a entrevista, chegou um possível fornecedor. E ele logo deu início à degustação do que este oferecia: petiscos de “javaporco”, cruzamento de javali e porco, com molho doce e um tinto top.

As filhas, mesmo as que não moram com eles, também se envolvem com o restaurante. Duas ajudam sempre: Moema e Poliana. Sheila estuda Comércio Exterior em Vitória. Juliana está concluindo a formação em Terapia Ocupacional. Ela e Poliana são também massoterapeutas, atendendo nos finais de semana nas instalações do Hotel Monte Verde, localizado às margens da belissima rodovia que liga a BR 262 a Vargem Alta.

Shirles e Aloísio não param de se aperfeiçoar. Sempre que podem, participam de treinamentos oferecidos pelas mais diversas instituições. Os mais recentes: “Roteiros de charme”, “Organização e métodos”, “Marketing” e “Gerenciamento”. Gostaram muito do Empretec, do Sebrae-ES. E são unânimes em afirmar que o turismo salvou a região. “A renda e a vida das pessoas melhorou muito nos últimos anos” — diz Aloísio.

Um objetivo do casal é transformar o Lago da Lua em orgânico. Já produzem a maior parte das folhas, legumes e temperos que usam. E só vão adquirir o resto de produtores credenciados. Também querem montar uma adega de primeira, oferecendo também uma carta de queijos. Aliás, outra coisa que Aloísio agradece aos Tristão é a aproximação com bons vinhos. “O senhor Jônice foi meu primeiro professor.”

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O restaurante Lago da Lua está numa casa muito charmosa, erguida pelo casal Shirles e Aloísio







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