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Texto de Maurício Trindade Ribeiro
Médico especialista em Geriatria pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
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Envelhecer pode ser bem sucedido ou mal sucedido. A escolha é nossa
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Quando discutimos envelhecimento humano, é importante saber que existem basicamente dois caminhos a seguir. O primeiro, e mais desejado, por motivos óbvios, é o do envelhecimento bem sucedido ou saudável. Também descrito como o envelhecimento em que os indivíduos chegam à maturidade com sua independência, autonomia e qualidade de vida preservadas.
Por outro lado, podemos envelhecer percorrendo o segundo caminho, sempre sofrido e árduo, conhecido como envelhecimento com fragilidade. Nele, os indivíduos se tornam reservatórios de doenças crônicas não tratadas. Sofrem as conseqüências destas, culminando com perda da independência, da autonomia e, conseqüentemente, com enorme prejuízo à sua qualidade de vida.
Todos envelhecemos de forma diferente; diz-se, por isso, que o envelhecimento é heterogêneo. Ele é influenciado por fatores, como, por exemplo, nosso conteúdo genético, também conhecido como hereditário (que passa de geração em geração) e os hábitos de vida. Sabe-se hoje que 65% do nosso envelhecimento é influenciado diretamente pelos hábitos de vida. O restante, 35%, pela hereditariedade.
Portanto, a conclusão a que chegamos é que nós verdadeiramente escolhemos como queremos envelhecer. A decisão depende exclusivamente de nós. Uma alimentação balanceada, rica em verduras, legumes, frutas, fibras e carnes magras, promove o envelhecimento saudável. Uma alimentação rica em gorduras, frituras, carnes gordas e doces fazem extremo mal à saúde. Também se conhece a importância da atividade física regular — pelo menos 30 minutos de três a cinco vezes por semana —, para todas as faixas etárias, como fator promotor de envelhecimento bem sucedido.
Quando falamos de hábitos de vida, não podemos esquecer de mencionar dois vícios extremamente danosos à saúde. O principal deles é o hábito de fumar. Já se sabe que existem mais de 500 doenças relacionadas diretamente ao cigarro. Chamamos atenção para diversos tipos de cânceres: pulmão, boca, garganta, esôfago, bexiga; as doenças cardiovasculares: infarto, derrame cerebral; e as pulmonares: enfisema, bronquite etc.
Outro vício de vida extremamente danoso é o alcoolismo, causador de conseqüências desastrosas para a saúde física — cirrose do fígado, cânceres — e a saúde psicossocial dos indivíduos, destruindo lares e arruinando famílias inteiras, motivando crimes como assassinatos, roubos e muitos outros.
Hoje, o conceito de saúde é descrito pela Organização Mundial de Saúde, a OMS, como o “estado de completo bem estar físico, mental e social, e não, a ausência de doenças”. Portanto, isso significa dizer que podemos ter doenças — elas surgem naturalmente com o envelhecimento —, mas que, se devidamente controladas, seremos considerados indivíduos extremamente saudáveis.
Dentre estas doenças que surgem naturalmente quando envelhecemos podemos citar a hipertensão arterial — ou pressão alta —, o diabetes melito, o colesterol alto e diversos tipos de cânceres. Na maioria das vezes, surgem e evoluem de forma “silenciosa”. Quer dizer, não apresentam sintomas e, por isso, seus portadores não procuram tratamento médico.
Quando não diagnosticadas e tratadas adequadamente, trazem como conseqüência infarto agudo do miocárdio e derrame cerebral, que podem ser evitados com o diagnóstico e tratamento precoce. Portanto, chamo a atenção para a importância de se transformar em hábito saudável a consulta periódica ao médico para alcançarmos o tão desejado envelhecimento bem sucedido.
Sempre sou questionado por meus pacientes sobre vitaminas, antioxidantes e outras substâncias vendidas como “rejuvenescedoras”. Respondo gentilmente que nada disso substitui verduras e frutas vendidas na quitanda, uma boa caminhada diariamente, fugir o cigarro, evitar excesso de álcool e consultar o médico periodicamente. Não existe “elixir mágico da longa vida”. Envelhecer “melhor” ou “pior” só depende de nós.
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