Memória de Pedra Azul: Ângelo Cesatti ou Nené Milan


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Texto de João Zuccaratto

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Um dos primeiros a morar no loteamento de Pedra Azul relembra início da Vila

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Se existe alguém que pode falar sobre a origem da vila de Pedra Azul é o senhor Ângelo Cesatti, mais conhecido como Nené Milan. Ele ganhou este apelido porque seu avô, Antônio Cesatti, era de Milão, na Itália. Sua memória de 70 anos de vida é prodigiosa em detalhes, e ele vai citando fatos, nomes, datas, casos com uma naturalidade de fazer inveja aos mais jovens. Por exemplo: lembra que sua família foi a quinta a se estabelecer no “Loteamento Pedra Azul”, criado pelo Lourival Brasil no final dos anos 70 do século XX.

A primeira foi a de Olendina e Nélson dos Passos; a segunda: Etelvina e Osvaldo Canal; terceira: Regina Lorenzoni e Sergílio Brandão; e, quarta: Anita Uliana e João Pereira. Nené vive ainda hoje no mesmo local, agora viúvo da esposa Zilda Uliana. Ele, orgulhoso de sempre ter morado em casas próprias, ressalta o esforço da companheira na criação dos nove filhos: Maria, Carmem (falecida), José Milan, Elizeth, Moisés, Dimicéia, Eliene, Edmar (falecido) e Eliana. Aposentado, mas sem largar o batente, coleciona 14 netos e três bisnetos.

Seu Nené garante que é o primeiro a acordar em toda a Vila de Pedra Azul, todos os dias. Ele se levanta às três da manhã, chova ou faça frio. Acordar cedo é um hábito que vem da sua vida dura, de trabalho no campo. Nasceu na Fazenda do Estado, sendo sua mãe Virgínia Tomasini e seu pai, João Cesati. Dividia as tarefas da roça com cinco irmãos: Júlio, Enedina, Aléssio, Antônio e Gino. E lamenta ter pouco estudo, pois na época da sua infância a escola mais próxima ficava onde hoje está Venda Nova do Imigrante.

Apesar de achar que hoje em dia se vive bem melhor do que naquela época, recorda com saudade de toda a região coberta por matas, cortada por picadas por onde transitavam tropas de burros. Ressalta que o maior medo era de onça, pois havia muitas, que urravam e deixavam seus rastros nos deslocamentos noturnos. O senhor Ângelo Cesatti sabe que estes tempos ficaram definitivamente para trás, superados por um progresso que nem sempre tem lado positivo. Acha que o turismo melhorou a vida de todo mundo em 100%.

Credita o início desta nova fase de Pedra Azul ao trabalho de pessoas como Júlio Pinho e Delfim Oliveira. Afirma que os dois, lá pelos meados dos anos 60, para se deslocar pelas terras, pegavam cavalos emprestados com ele. Até recentemente, o senhor Nenê, além de fazer corretagem de lotes e chácaras, cuidava dos jardins de um condomínio de casas de pessoas que moram fora. Mas como ia e voltava deste trabalho de moto, devido aos riscos, os filhos pediram que parasse, e concordou. Ele conclui esperando que a Prefeitura cuide melhor da vila de Pedra Azul, que acha meio abandonada.


O senhor Ângelo Cesatti no esplendor de sua juventude



Comemorando aniversário com a esposa Zilda Uliana, já falecida



Ao lado da neta Riquelly, na frente da casa onde mora, no Centro da Vila de Pedra Azul



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