Memória de Domingos Martins — Tempos áureos do Hotel Imperador

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Texto de Joel Guilherme Velten
Diretor da Casa de Cultura de Domingos Martins
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Sempre que alguém cita a expressão Anos Dourados — imortalizada pela belíssima série exibida pela Rede Globo de Televisão —, período que vai da metade dos anos 50 até a metade da década de 60 do século XX, me vem à mente a fase áurea do nosso querido Hotel Imperador. Inaugurado em 6 de janeiro de 1955 pelo empreendedor Jefferson Aguiar, durante duas décadas se impôs como o maior e melhor hotel de toda a região de montanhas do Estado do Espírito Santo. E só perdeu o posto com o advento de novos empreendimentos, principalmente no entorno da belíssima Pedra Azul.

Recordo que seu primeiro gerente foi Kurt Lewine, que antes trabalhava no Hotel Estoril, da cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerias. Casado com dona Santa, tinham uma filha muito bonita, chamada Ivone Cecília. O namorado dela era o então jovem engenheiro Itamar Franco, que foi presidente do Brasil depois do impeachment de Collor de Mello. Itamar veio para o Estado porque sua empresa de engenharia estava fazendo as obras da avenida Beira Mar, em Vitória. E nos finais de semana pegava seu Buick preto e vinha para cá, ficando hospedado no Imperador, próximo à sua amada.

Como naquela época menina de família não passeava sozinha com o namorado, principalmente de carro, os pais da Ivone só a deixavam sair acompanhada de mais alguém. E muitas vezes esse alguém era eu, o que me permitiu andar num automóvel pela primeira vez. Querendo me agradar, e talvez me distrair, Itamar Franco me enchia de balas e bombons. Mas não me lembro desta tática ter dado certo, porque não descolava do casal, subindo e descendo com eles para todo lado que fossem. Era muito comum acompanhá-los no lazer mais comum da cidade, o footing pela rua principal.

Logo que o Hotel Imperador pegou fama, todo o então high society de Vitória e Vila Velha costumava passar finais de semana hospedado em seus quartos. Lembro com carinho especial do saudoso empresário Américo Buaiz, freqüentador assíduo da cidade ao lado da sua esposa, e que desfilava com ela carregando nos braços o top de tecnologia do momento: um rádio portátil. Essa visibilidade que o hotel ganhava o tornou referência para lua de mel, e nossos finais de semana eram enfeitados por um sem número de jovens casais, que davam seus primeiros passos na vida em comum.

Para concluir, recordo uma poesia em homenagem à nossa cidade, versos que fizeram muito sucesso naqueles idos:

Um dia, encontrei o caminho,
caminho pertinho do céu.
Um céu chamado Campinho,
Campinho das ruas de mel.

De dia, flores no campo
Querendo a vida enfeitar.
De noite, os pirilampos
Brincando de iluminar.

Na sua tranqüilidade,
Nasceu esta canção.
Campinho minha saudade,
meu sonho, meu coração.

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Nas imagens a seguir, duas vistas do Hotel Imperador, do início dos anos 60 do século XX, empreendimento que, na época, era sinônimo de sofisticação no Espírito Santo



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